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	<title>Romance - Uma história dentro da outra</title>
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		<title>Romance - Uma história dentro da outra</title>
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		<title>Capítulo VII</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Jan 2011 13:06:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rose Carreiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um ano havia se passado desde o último encontro. Ela já se sentia recuperada do choque, da decepção, do fim. Mas ainda não estava completa de novo. Tentou mudar de vida, refez suas amizades, caía na noite como todo ser livre e desiludido. E nesse tempo, seu romance deu mais alguns poucos passos, que não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oblogdolivro.wordpress.com&amp;blog=6537131&amp;post=26&amp;subd=oblogdolivro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um ano havia se passado desde o último encontro. Ela já se sentia recuperada do choque, da decepção, do fim. Mas ainda não estava completa de novo. Tentou mudar de vida, refez suas amizades, caía na noite como todo ser livre e desiludido. E nesse tempo, seu romance deu mais alguns poucos passos, que não chegavam sequer a um capítulo:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Escolheram uma tarde morna de abril para a cerimônia. Ambas as famílias achavam que os noivos eram muito novos para o enlace, mas não havia quem os dissuadisse da ideia. Ela mal havia terminado o colegial, e ele há pouco era um jovem que cumpriu com suas obrigações de cidadão em seu país e se alistou no Exército, onde esteve por um ano. </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Apesar da pouca idade e experiência no assunto, pois era o primeiro namoro dos dois, em sua época não era tão estranha a formação de uma família nessa faixa etária. E, se seguissem os costumes da época, em breve ela seria uma jovem mãe. Pretendiam ter filhos, dois ou três, e acreditavam nessa fórmula para serem felizes.</em><br />
<em>Sua entrada na igreja teve algo de etéreo, pois parecia um anjo flutuando até a nave, onde ele a esperava com os olhos mais admirados que um noivo poderia ter diante de sua futura mulher. Seu vestido branco, bordado até o pescoço, os braços cobertos até os punhos, onde luvas de renda escondiam as pequenas mãos, a cauda de metros e metros, o véu cobrindo-lhe o rosto, tudo dava a impressão de que ali havia uma mulher ao seu tempo: reservada, escondida para o marido. </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em> Deram-se os braços e se ajoelharam para a recepção da benção divina e para o sim, o tão esperado sim que ele novamente ouviria da que seria sua única amante, pelo fim de sua curta vida&#8230;</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pensava agora em como seguir com a história sem depositar nela sua descrença pelas vidas felizes. Ele morreria, ela teria de seguir sozinha, personagem e autora viveriam da mesma forma, afinal, sabia que o que escrevia era um espelho de si. Estava resolvido, o príncipe de seu romance teria de morrer, assim ela poderia provar que depois da maior das dores, haveria forças, haveria uma vida. No final, não pretendia publicar seu romance, mostrá-lo a alguém, ele seria apenas uma parábola de auto-ajuda, ainda que soubesse que não possuía tais forças ainda. Fechava-se do mundo, pois acreditava não aguentar mais uma queda caso se apaixonasse novamente.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oblogdolivro.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oblogdolivro.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oblogdolivro.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oblogdolivro.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oblogdolivro.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oblogdolivro.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oblogdolivro.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oblogdolivro.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oblogdolivro.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oblogdolivro.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oblogdolivro.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oblogdolivro.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oblogdolivro.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oblogdolivro.wordpress.com/26/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oblogdolivro.wordpress.com&amp;blog=6537131&amp;post=26&amp;subd=oblogdolivro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Capítulo VI</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Jul 2009 17:39:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rose Carreiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pela janela do carro ele observava as luzes do apartamento acesas. Pensou em ir até lá. Ela talvez não o recebesse, e teria toda razão em fazê-lo. A neblina já tomava conta da noite e o frio invadia o espaço. Ligou o aquecedor do carro, que logo limpava o vidro então embaçado. Esperou até que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oblogdolivro.wordpress.com&amp;blog=6537131&amp;post=21&amp;subd=oblogdolivro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pela janela do carro ele observava as luzes do apartamento acesas. Pensou em ir até lá. Ela talvez não o recebesse, e teria toda razão em fazê-lo. A neblina já tomava conta da noite e o frio invadia o espaço. Ligou o aquecedor do carro, que logo limpava o vidro então embaçado. Esperou até que pudesse ver toda a rua nitidamente e na entrada do prédio alguém saía apressado. Olhou novamente para as janelas do apartamento, agora todas escuras, e então ligou o carro, começou a andar devagar e a seguir o vulto que seguia em passos firmes pela calçada. Sabia que era ela, o jeito de andar, o casaco, as botas, ela sempre se vestia assim. Ela pisava forte e ele conhecia muito bem essa característica: estava ansiosa.</p>
<p>Abaixou o vidro e chamou seu nome, ao que ela se virou mostrando aqueles olhos marejados que pareciam duas pedras, e ele podia até ver o contorno de sua íris tão destacado sempre que ela chorava. Pediu que ela entrasse no carro, mesmo sabendo que a resposta seria negativa. Continuou seguindo-a e então parou o carro, desceu e correu até alcançá-la. Segurou-a pelo braço e pôde ver em sua expressão a reprovação do gesto. Ela não falava, só o encarava e isso era suficiente pra que ele compreendesse que não era bem-vindo ali. Conhecia bem cada traço daquele rosto e sabia que deveria soltá-la e ir embora. Antes que pudesse se afastar, ela mesma forçou para que ele a soltasse e sem mesmo enxugar as lágrimas, virou-se e entrou na primeira farmácia que encontrou, abasteceu-se de analgésicos e calmantes e saiu sem olhar pra trás.</p>
<p>Voltou para o carro e ficou ali, observando enquanto ela subia as escadas, e em seguida as luzes de seu quarto que eram acesas. Arrependeu-se de ter sido tão impulsivo, só piorara as coisas e ela o odiaria mais por isso. Decidiu então ir embora, ligou o rádio e esperou que a música levasse seu pensamentos pra longe dali.</p>
<p>Os comprimidos eram a promessa de uma noite de sono pesado, sem sonhos ou pesadelos, queria apenas desplugar a mente dos últimos dias, esquecer que passara por tudo aquilo. Sentia-se tão injustiçada por estar vivendo aquele inferno, não encontrava justificativa para o fim, para tanto sofrimento e nada a faria conceber que o erro era seu. Suas mãos trêmulas sequer tinham forças para segurar o copo de água, que lançou contra a parede. O som do vidro se quebrando e os cacos caídos no chão à sua frente a trouxeram um minuto de lucidez. Abaixou-se para recolher os pedaços brilhantes e, com os olhos embaçados pelo pranto, não notou a ponta de um dos cacos, cortando-se nele. Gritou. Chorou de dor, de raiva, de tristeza. Ficou ali inerte, vendo o sangue que escorria e tingia o chão. Não teve pressa em se levantar para limpar o corte, no fundo queria sangrar até morrer, mas sabia que esta seria outra injustiça. Nenhuma decepção valia sua vida.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oblogdolivro.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oblogdolivro.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oblogdolivro.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oblogdolivro.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oblogdolivro.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oblogdolivro.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oblogdolivro.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oblogdolivro.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oblogdolivro.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oblogdolivro.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oblogdolivro.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oblogdolivro.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oblogdolivro.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oblogdolivro.wordpress.com/21/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oblogdolivro.wordpress.com&amp;blog=6537131&amp;post=21&amp;subd=oblogdolivro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Capítulo V</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Apr 2009 03:33:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rose Carreiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Acendeu a luz e jogou a caixa sobre o sofá. Sentou-se ali, ainda com a imagem daqueles olhos tempestuosos viva na mente. Foi sua a decisão de acabar tudo, mas ainda gostava dela. Não aceitava a idéia de enganá-la e por isso decidiu findar aquela relação. Tinha outra em sua vida, mas o jeito dela [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oblogdolivro.wordpress.com&amp;blog=6537131&amp;post=19&amp;subd=oblogdolivro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acendeu a luz e jogou a caixa sobre o sofá. Sentou-se ali, ainda com a imagem daqueles olhos tempestuosos viva na mente. Foi sua a decisão de acabar tudo, mas ainda gostava dela. Não aceitava a idéia de enganá-la e por isso decidiu findar aquela relação. Tinha outra em sua vida, mas o jeito dela agora novamente o balançara. Além de linda, sempre fora uma mulher de coragem. E isso virava a cabeça de muitos homens, inclusive a dele.</p>
<p>Era a primeira vez que se via confuso desde o rompimento. Vê-la novamente, sentir seu perfume, observar suas formas sob a blusa preta – ela sempre ficava atraente com a sombra do sutiã sob o tecido fino que transparecia suas curvas. Lembrou-se  das infindáveis vezes em que a recebia no fim do dia, puxando-a pelo braço e desabotoando-lhe a camisa como se o fizesse à força. Divertia-se ao vê-la enfezada e logo sorridente, enquanto o empurrava para a cama e se jogava sobre seu peito. Tais recordações agora lhe eram de uma certa tristeza.</p>
<p>O questionamento logo surgiu. Tinha dúvidas se não a amava mais. Não sabia como agir, no que pensar, e a casa agora parecia não ser o melhor lugar para colocar os sentimentos em ordem. Levantou-se e sentiu uma certa angústia ao perceber que agora estava incerto sobre o que realmente queria. Pegou as chaves do carro e saiu apressado. Dirigiu por algum tempo sem rumo, vendo as luzes que corriam pelo retrovisor. Quando deu por si, estava parado à portaria do prédio antigo. Como que por instinto, havia se dirigido de volta a ela.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oblogdolivro.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oblogdolivro.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oblogdolivro.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oblogdolivro.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oblogdolivro.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oblogdolivro.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oblogdolivro.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oblogdolivro.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oblogdolivro.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oblogdolivro.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oblogdolivro.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oblogdolivro.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oblogdolivro.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oblogdolivro.wordpress.com/19/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oblogdolivro.wordpress.com&amp;blog=6537131&amp;post=19&amp;subd=oblogdolivro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Capítulo IV</title>
		<link>http://oblogdolivro.wordpress.com/2009/03/02/capitulo-iv/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 Mar 2009 01:38:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rose Carreiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[O dia tinha hoje muitas cores, como há muito tempo ela não percebia. Saiu apressada, e na correria deixou pra trás o relógio de pulso e a lista de compras. A falta do relógio não seria um grande problema, apesar de ter consciência de que sem ele, perderia completamente a noção do tempo, mas agora [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oblogdolivro.wordpress.com&amp;blog=6537131&amp;post=17&amp;subd=oblogdolivro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O dia tinha hoje muitas cores, como há muito tempo ela não percebia. Saiu apressada, e na correria deixou pra trás o relógio de pulso e a lista de compras. A falta do relógio não seria um grande problema, apesar de ter consciência de que sem ele, perderia completamente a noção do tempo, mas agora sua preocupação se dava por conta da lista. Não sobreviveria muito tempo à base de café e amendoins. Além do que, não intencionava sair de casa em seu tempo livre, tinha um romance a continuar e passaria fome pra isso. Mas alguns chocolates e comida de verdade se faziam necessários, e o café estava no fim.</p>
<p>Colocou os grandes óculos escuros, disfarçando o rosto triste e cansado. Suas noites mal dormidas eram evidentes em cada linha e nem o sol matutino conseguiria arrancar-lhe o ar sombrio da face.</p>
<p>A cidade andava a passos rápidos, o que a dava uma sensação de deslocamento no meio de tantas pessoas já agitadas, algumas atrevidamente alegres àquela hora. Para ela, que sequer pudera sorver uma xícara de café antes de sair correndo com as chaves na mão, aquelas eram suas piores horas. Sentia-se um parasita pela manhã, seu mau humor era nítido e as pilhas de trabalho se acumulavam em sua mesa.</p>
<p>Ninguém entendia porque ela continuava na empresa, mas a eficiência com que resolvia os problemas após o meio-dia e a capacidade de se entregar às  infindáveis jornadas sobre aqueles processos, faziam dela um Ás no departamento. Sempre soube que funcionava melhor à noite, por isso muitas vezes levava trabalho pra casa, e na manhã seguinte, entre olheiras e resmungos, lá estava o resultado impecável.</p>
<p>Resolveu voltar em casa na hora do almoço para apanhar a lista. Com um pouco de sorte, sairia do prédio em tempo de tomar o ônibus que a deixaria uma quadra antes de sua casa, e teria tempo para um cigarro e um sorvete. Fome não tinha, mas queria colocar a vida em ordem, e começaria pela despensa. Voltara a fumar fazia pouco, e ainda sentia-se estranha ao parar para comprar cigarros, sentia-se outra, talvez tivesse voltado a ser ela. O gosto amargo do fumo às vezes lhe era reconfortante, e era até agradável sentir o aroma do maço ao ser aberto.</p>
<p>Ao chegar em casa, apressou-se em buscar um isqueiro na cozinha e não encontrando, foi ao quarto onde mantinha os fósforos de seu <em>rechaud</em>. Notou que não estava só, e antes que pudesse adentrar o cômodo, ele se virou.<br />
<em><br />
_ Maldita chave</em>, praguejava ela internamente. Não tivera tempo de pensar em trocar a fechadura.</p>
<p>Ele a encarou como quem tenta reconhecer um velho amigo. Em poucas palavras, disse que voltara para buscar suas coisas, mas que poderia voltar outra hora. Comentou que folheara seus escritos, e que ela escrevia bem, o que para ela não seria tomado como elogio. Não por ele. Quando viu suas páginas rascunhadas nas mãos daquele homem que agora lhe era estranho, tomou-as para si, como se fossem algo de muita valia. Teve vergonha, sentiu-se ridícula, e aqueles comentários vazios pareciam-lhe zombeteiros.</p>
<p>A caixa encontrava-se no canto da escrivaninha. Havia se esquecido de levá-la consigo para o trabalho pela manhã, e novamente a raiva de si mesma a consumia. Apontou para o objeto e esperou que ele o apanhasse e desaparecesse por sua porta. Não esperava vê-lo ali, com aquele ar de manhã primaveril, e seu sorriso no canto da boca agora a enojava. Queria matá-lo, apagá-lo de suas memórias, enterrar aqueles traços que viviam ali, como se pendurados em sua mente, uma pintura de sua tortura. Mas ele, em seu tom amistoso, parecia provocá-la com aquela conversa trivial.</p>
<p>Fingia não ouvi-lo. Na verdade, o nó em sua garganta a apertava tanto que ela mal conseguia prestar atenção no som que vinha dos lábios malditos, antes tão doces e macios.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oblogdolivro.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oblogdolivro.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oblogdolivro.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oblogdolivro.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oblogdolivro.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oblogdolivro.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oblogdolivro.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oblogdolivro.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oblogdolivro.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oblogdolivro.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oblogdolivro.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oblogdolivro.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oblogdolivro.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oblogdolivro.wordpress.com/17/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oblogdolivro.wordpress.com&amp;blog=6537131&amp;post=17&amp;subd=oblogdolivro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Capítulo III</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Feb 2009 20:45:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rose Carreiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[“O Pedido” “Era tarde de abril e as tardes já eram frias, ainda que acolhedoras. Como sempre, estava atrasada. Não o via desde o feriado santo e mal esperava para sentir aqueles ombros largos contra seu corpo, imaginando que aquela barreira a protegeria do resto do mundo. A vida naquele casarão apertava ainda mais o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oblogdolivro.wordpress.com&amp;blog=6537131&amp;post=15&amp;subd=oblogdolivro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-style:italic;font-weight:bold;">“O Pedido”</span></p>
<p><span style="font-style:italic;">“Era tarde de abril e as tardes já eram frias, ainda que acolhedoras. Como sempre, estava atrasada. Não o via desde o feriado santo e mal esperava para sentir aqueles ombros largos contra seu corpo, imaginando que aquela barreira a protegeria do resto do mundo. A vida naquele casarão apertava ainda mais o peito quando os dias eram passados longe dele. Nada fazia mais falta do que o calor daqueles braços&#8230;”</span></p>
<p>Passou um café, deliciando-se com o aroma que agora invadia o ambiente. No relógio, piscavam os números como em um alerta – já passava das três da manhã. Contudo, desde que a inspiração chegara, ela não se permitia parar. Voltara a criar, e o tempo e o dia cansativo por vir não importavam mais àquela hora. Era necessário libertar suas ideias, ainda que por vezes, pensasse que o mundo nunca viria a conhecer sua obra. Precisava criar.</p>
<p>Releu os primeiros parágrafos e se viu, como um reflexo espalhado num espelho que se quebra ao cair. Hesitou entre apagar as semelhanças ou carregá-las de sua dor. <span style="font-weight:bold;">“Olha, eu estou sofrendo. Dói.” </span>Por fim, deixou tudo como estava. Rever seus traços passados no começo daquele romance eram agoras as únicas evidências de que tivera alguma felicidade no que hoje se tornara seu calvário. Apesar do inferno que atravessava, sabia que um dia, sentir-se-ia daquela mesma maneira, calma e completa, novamente.</p>
<p><span style="font-style:italic;">“&#8230;saltava pelos corredores do prédio antigo, deixando por onde passava o eco do ruído que as sandálias provocavam no assoalho. Lá fora, ele a esperava, já impaciente, ensaiando as palavras com as quais faria o grande pedido. Imaginava as covinhas que se formariam em suas bochechas quando ela sorrisse e dissesse <span style="font-weight:bold;">sim</span>. E ela veio&#8230;”</span></p>
<p>Lembrou-se então que não usava mais o o solitário, e voltou-se à caixa envernizada onde suas pequenas jóias eram guardadas, e brincou com o anel. Ensaiou o gesto do noivado e riu, lembrando-se de como foi feliz naquele dia. Então, quis enterrá-lo onde nunca mais pudesse vê-lo, assim como queria cavar no mundo um lugar onde pudesse sufocar aquele sentimento que a flagelava. Mas era inútil, sabia que a dor voltaria.</p>
<p>Voltou então para as letras que brotavam por seus dedos naquela tela de poucas cores.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oblogdolivro.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oblogdolivro.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oblogdolivro.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oblogdolivro.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oblogdolivro.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oblogdolivro.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oblogdolivro.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oblogdolivro.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oblogdolivro.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oblogdolivro.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oblogdolivro.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oblogdolivro.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oblogdolivro.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oblogdolivro.wordpress.com/15/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oblogdolivro.wordpress.com&amp;blog=6537131&amp;post=15&amp;subd=oblogdolivro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Capítulo II</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Feb 2009 20:43:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rose Carreiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[O dia ainda ia se pondo, e ela podia ver pela janela do quarto a luz dos últimos raios de sol que transferiam aos céus um tom dourado típico das tardes de verão. Algumas nuvens se insinuavam e, pelo cheiro que a brisa trazia, ela sabia que a chuva viria em breve. Há tempos era [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oblogdolivro.wordpress.com&amp;blog=6537131&amp;post=13&amp;subd=oblogdolivro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O dia ainda ia se pondo, e ela podia ver pela janela do quarto a luz dos últimos raios de sol que transferiam aos céus um tom dourado típico das tardes de verão. Algumas nuvens se insinuavam e, pelo cheiro que a brisa trazia, ela sabia que a chuva viria em breve. Há tempos era capaz de prever a chuva por aquele cheiro característico de umidade, terra e folhas que só a sua cidade parecia ter. De certa forma isso lhe aliviava, pois a idéia de mais um dia trancada em casa naquele calor insuportável era angustiante. Precisava de forças e de um ar-condicionado. Sabia que choveria, aquela sinfonia de estrondos e água corrente provocaria um medo calmo, e a solidão seria aconchegante. Depois disso tudo, a noite seria fresca e ela dormiria em paz.</p>
<p>Difícil não pensar nos últimos dias, nas evidências do fim, nas palavras cortantes e no vazio que se fez ao seu redor. Mas tinha de encarar a vida com os próprios pés. O mundo não é cruel, é tudo uma questão de como o encaramos – como quem sofre ou quem pratica a ação. É sempre muito mais cômodo e piedoso se expor como vítima, ainda utilizando-se da citação encontrada em O Pequeno Príncipe de que as pessoas se tornam responsáveis pelo que cativam, do que assumir que se deixou entregar a um sentimento que não vem com certificado de garantia. Vivia agora ponderando os fatos, entre as horas de coragem, de confiança, e os momentos de choro e desespero. Sabia que não podia levar aquele pranto adiante, tinha uma vida, tinha projetos, o aluguel a pagar, o tempo a corretora não parariam esperando que ela se recompusesse do tombo.</p>
<p>Era hora de limpar o passado, se livrar de tudo o que trazia lembranças dele, e assim ela o fez. Cartões, entradas de cinema, fotos, tudo fora devidamente separado e encaminhado ao fogo. As roupas, ela mandaria para o seu endereço de trabalho, pois sabia que descobrir onde ele morava agora seria mais um espinho em sua coroa de dores. Sequer pretendia avisá-lo de que estava enviando seus pertences, e oscilava entre justificar tal feito como um ato de prevenção ou covardia. Guardou apenas os livros e discos. É o tipo de coisa que não se joga fora, e além do mais, ele nunca deixara qualquer dedicatória impressa, o que agora tornara os objetos genéricos. Não havia declarações documentadas que pudessem trazer recordações quando abrisse aquelas capas novamente.</p>
<p>Ao estrondo de um trovão, instintivamente olhou novamente para fora e ficou ali por um tempo que não saberia descrever como segundos ou horas, observando como aqueles tons claros mudavam para um cinza carregado e ameaçador. Teve vontade de sentir os primeiros pingos de chuva sobre sua pele e sentir o vento que agora vinha forte em seus cabelos, como se o ritual pudesse purificar seu corpo e libertar seu coração. Ligou o rádio e Nando Reis dizia que <span style="font-style:italic;">“a gente só não inventa a dor”</span>. Quis escrever, e desenterrou os rascunhos de um romance há muito guardado. Sempre soube que o sofrimento um dia traria a criação de volta. Estava ali, à sua frente, a obra mal começada, esperando só o fio que a guiaria ao desvendar de uma nova vida. E começou.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oblogdolivro.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oblogdolivro.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oblogdolivro.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oblogdolivro.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oblogdolivro.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oblogdolivro.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oblogdolivro.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oblogdolivro.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oblogdolivro.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oblogdolivro.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oblogdolivro.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oblogdolivro.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oblogdolivro.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oblogdolivro.wordpress.com/13/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oblogdolivro.wordpress.com&amp;blog=6537131&amp;post=13&amp;subd=oblogdolivro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Capítulo I</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Feb 2009 20:42:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rose Carreiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Os dedos dobrados contra os lábios denunciavam o gesto comum de quem reprimia o pranto por vir. No caminho pra casa, fitava no reflexo da janela a pedra do solitário em seu dedo anular e, vez ou outra, ousava encarar a si mesma pelo vidro, lendo naqueles olhos de eclipse a cena sofrível que trazia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oblogdolivro.wordpress.com&amp;blog=6537131&amp;post=11&amp;subd=oblogdolivro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os dedos dobrados contra os lábios denunciavam o gesto comum de quem reprimia o pranto por vir. No caminho pra casa, fitava no reflexo da janela a pedra do solitário em seu dedo anular e, vez ou outra, ousava encarar a si mesma pelo vidro, lendo naqueles olhos de eclipse a cena sofrível que trazia à tona as palavras cortantes&#8230;”<span style="font-style:italic;">apenas me esqueça&#8230;</span>”, e em algumas frases ásperas, um mundo de sonhos se esvaiu. Tentara recorrer daquela sentença ácida que lhe fora atirada sem maiores explicações, mas apenas conseguira murmurar um “<span style="font-style:italic;">não vivo sem você&#8230;</span>”. Contudo, sem sequer olhar pra trás, ele havia atravessado a saída, deixando alguns pertences de pouco valor e a adaga que dilacerava seus sentimentos. Estava tudo acabado, não havia nada que pudesse ser feito. O jeito era seguir só.</p>
<p>Agora, ali, naquela tentativa simbólica – e de pouca valia – de impedir que toda a dor lhe saltasse pela boca e impregnasse o ambiente tão particular de sua aparência, tudo o que queria era parecer forte e fria, e esconder dos demais a tristeza que se enraizara em sua alma. Não havia ira, apenas uma tortura silenciosa vagava pela extensão do seu corpo.</p>
<p>Sorria passivamente para os que a cumprimentavam, utilizando-se de uma máscara polida de serenidade para encenar um quadro que não fazia mais parte de sua vida. Então, com aquelas palavras que insistiam em se manter latentes em seus pensamentos, deixava que a estranha sensação lhe revirasse as entranhas, sem esboçar sequer um traço de dor.</p>
<p>Ao virar a chave da porta de entrada do apartamento que fora palco daquele triste desfecho pela manhã, percebia que os céus começavam a chorar, como em compaixão à sua tormenta. Finalmente, estava longe do mundo inquisidor que lhe exigia satisfações.</p>
<p>Despiu-se devagar, observando os traços de um corpo cansado, e sabia que, naqueles olhos fundos, qualquer um notaria seu esgotamento. Permitiu-se então uma ducha morna, e com os primeiros fios de água, rolaram também suas lágrimas, desfazendo aquele emaranhado de sentimentos que lhe prendiam a voz, e deixou-se levar pelo torpor de seu choro.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oblogdolivro.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oblogdolivro.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oblogdolivro.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oblogdolivro.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oblogdolivro.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oblogdolivro.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oblogdolivro.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oblogdolivro.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oblogdolivro.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oblogdolivro.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oblogdolivro.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oblogdolivro.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oblogdolivro.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oblogdolivro.wordpress.com/11/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oblogdolivro.wordpress.com&amp;blog=6537131&amp;post=11&amp;subd=oblogdolivro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Rose Carreiro</media:title>
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		<title>Introdução</title>
		<link>http://oblogdolivro.wordpress.com/2009/02/11/introduca/</link>
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		<pubDate>Wed, 11 Feb 2009 02:03:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rose Carreiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Introdução]]></category>

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		<description><![CDATA[Este foi um blog criado para exibir os capítulos de um romance que crio aos poucos. Pode ser que haja muitos capítulos publicados em breve, pode ser que a história seja interrompida. Mas essa foi a forma que encontrei de tirar meus personagens dos rascunhos. Muito prazer, sou Rose Carreiro, e esse é o meu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oblogdolivro.wordpress.com&amp;blog=6537131&amp;post=1&amp;subd=oblogdolivro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este foi um blog criado para exibir os capítulos de um romance que crio aos poucos. Pode ser que haja muitos capítulos publicados em breve, pode ser que a história seja interrompida. Mas essa foi a forma que encontrei de tirar meus personagens dos rascunhos.</p>
<p>Muito prazer, sou Rose Carreiro, e esse é o meu Romance &#8211; Uma história dentro da outra.</p>
<br /> Tagged: Introdução <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oblogdolivro.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oblogdolivro.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oblogdolivro.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oblogdolivro.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oblogdolivro.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oblogdolivro.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oblogdolivro.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oblogdolivro.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oblogdolivro.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oblogdolivro.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oblogdolivro.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oblogdolivro.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oblogdolivro.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oblogdolivro.wordpress.com/1/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oblogdolivro.wordpress.com&amp;blog=6537131&amp;post=1&amp;subd=oblogdolivro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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